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E se a placa que avisa do perigo é a que está com defeito?

O painel diz PERIGO e não dá para ler

6h30 e ainda está escuro. Sobre a pista, um painel de mensagem variável mostra a palavra PERIGO com meia dúzia de leds queimados: nas letras do meio faltam pedaços e do carro, a cento e vinte, não dá para ler nada. O painel está aceso, o sistema dá ele como correto e ele responde bem às ordens. A única coisa que ele não faz é a única que ele tinha que fazer.

5 câmeras em 2 setores

É assim que se pede

«Me avisa se um painel aparecer quebrado, apagado ou com a mensagem incompleta visto da pista.»

Uma placa que não dá para ler não é uma falha pequena: é o aviso que não chegou. Se mais adiante tiver uma faixa interditada, uma obra ou um veículo parado, o motorista entra como se não tivesse nada. E quando alguma coisa dá errado, a primeira pergunta da apuração é se a sinalização estava posta e visível. Responder aquilo exige garimpar no vídeo para trás e confiar que naquele dia alguém tenha passado por ali e reparado.

Se decide uma vez

Quem decide é a organização, uma vez: que placas são críticas, que mensagem precisa aparecer em cada faixa de horário, quanto tempo se tolera um painel ilegível e o que acontece quando um veículo entra numa faixa com a cruz vermelha. Isso é combinado entre a operação e a segurança viária e é escrito como regras. Depois o IRIS aplica em cada painel que tenha câmera, todo dia, e não cansa às três da manhã.

A sinalização tem uma armadilha: ela é conferida a partir do sistema que manda, não do lugar de onde ela é lida. O centro de controle sabe que enviou “PERIGO” para o painel e sabe que o painel respondeu que colocou. O que ninguém confere é se aquela palavra é legível de dentro de um carro. Um módulo de led queimado, uma placa girada pelo vento ou uma placa de obra tapada por um caminhão não aparecem em tela nenhuma.

E tem um segundo caso, o contrário: a sinalização está perfeita e quem não cumpre é o motorista. Uma faixa com a cruz vermelha acesa e dois carros passando embaixo é uma cena que se lê num segundo e que hoje só aparece se um operador estivesse com aquela câmera na frente naquele momento. O mesmo com um carro que entra na faixa interditada por obra, com a equipe lá dentro.

O IRIS olha a sinalização de onde o motorista olha. Enxerga o painel e se a mensagem está completa, enxerga a cruz acesa e se alguém passa embaixo, enxerga o tapume da obra e se a placa que anuncia ela está girada. Ele avisa com a câmera, a hora e o vídeo. E como é a mesma conferência todo dia, aquilo serve também para demonstrar depois que a sinalização estava posta.

E tem uma sinalização que não está na rodovia e falha do mesmo jeito. Numa subestação, o que diz que um armário pode ser tocado não é uma placa em cima da pista: é o bloqueio e o cartão de identificação colocados onde precisam estar. Um armário de média tensão escancarado, com as duas mãos lá dentro e sem cadeado nem cartão à vista, é exatamente o mesmo problema que um painel ilegível: falta o aviso que impede o acidente. E se confere do mesmo jeito, olhando o lugar em vez do sistema.

O que muda

Antes: os painéis eram revisados numa volta periódica e o resto aparecia por uma comunicação ou por uma reclamação.

Agora: o painel ilegível é detectado no mesmo dia em que ele queima, e a entrada numa faixa interditada sai na hora, com vídeo. A volta de revisão deixa de ser um percurso completo e vira uma lista dos pontos que hoje estão ruins.

Onde a gente já viu isso

  • Um painel de mensagem variável sobre a pista mostra a palavra PERIGO com parte dos LED queimados: faltam pedaços nas letras do meio e do carro não dá para ler.

    CAM-70O painel de mensagem variável da rodovia

    «Me avisa se um painel estiver quebrado, apagado ou com a mensagem incompleta visto da pista.»

    Ver esta câmeraA rodovia

  • Pátio de um posto de fronteira ao meio-dia. No pórtico tem quatro sinais de via: três setas verdes e uma cruz vermelha na da direita. Embaixo da cruz tem dois carros, um atrás do outro. No resto do pátio, caminhões esperando em fila, uma fila de cones separando os sentidos e alguém de serviço no meio da pista organizando a passagem. O IRIS não diz que aqueles carros fizeram alguma coisa: diz que a via está sinalizada como fechada e que tem dois veículos lá dentro, e fala isso enquanto está acontecendo.

    CAM-562Dois carros na faixa que está com o X vermelho

    «Me avisa em vermelho se entrar um veículo numa via com a cruz acesa.»

    Ver esta câmeraA operação urbana

  • Uma faixa está interditada com cones e um painel de seta. Um operário de colete refletivo trabalha ao lado do caminhão de serviço enquanto o trânsito segue passando na faixa do lado.

    CAM-66Faixa interditada por obra

    «Me avisa se um veículo entrar na faixa interditada ou se um operário sair da área protegida.»

    Ver esta câmeraA rodovia

  • Uma obra ocupa a calçada e a faixa de estacionamento: barreiras, paletes, canos e uma caçamba de entulho. A placa que deveria avisar do estreitamento está virada e não aparece para quem vem pela via.

    CAM-34Obra na via sem nenhuma sinalização

    «Me avisa se uma obra ocupar a via sem a sinalização colocada e me diz o que ela ocupa.»

    Ver esta câmeraA cidade

O que ele não faz

O IRIS não conserta o painel, não muda a mensagem e não multa ninguém: não identifica pessoas e não decide punição. Ele lê a cena e avisa.

Ele também não é um leitor universal de placas. Ele enxerga o que a câmera enxerga: se o painel ficar de lado, muito longe, contra o sol ou tapado por um caminhão, aquilo não dá para ler, e nesse caso o que ele diz é que não conseguiu ler, não que está tudo bem.

Perguntas

Ele lê o que está no painel?
Ele lê o que aparece da pista, que é o que importa. O IRIS compara o painel com a aparência que ele devia ter: se faltam pedaços de letra, se tem módulo apagado ou se a mensagem sai incompleta, ele fala. O que ele não faz é substituir o sistema que governa o painel, que é quem sabe que mensagem foi ordenada. O interessante é justamente cruzar as duas coisas: o que foi mandado e o que de fato está sendo visto.
Ele detecta um carro numa faixa com a cruz vermelha?
Detecta, e é uma das regras mais diretas de escrever. A câmera enxerga a sinalização de faixa acesa e enxerga se por baixo dela passa um veículo. Quando as duas coisas coincidem, salta o aviso com o vídeo do momento. O que o IRIS não faz é identificar o veículo nem tramitar nada: ele mostra a cena para o centro de controle poder agir sobre o trânsito, que é onde está o risco real.
Serve para demonstrar que a sinalização estava posta?
Serve, e é um uso bem pedido. Cada conferência fica com a hora dela e a imagem dela, então dá para mostrar como a sinalização estava naquele dia e naquela hora, sem garimpar uma tarde inteira. O que a gente não faz é vender aquilo como prova legal fechada: é vídeo com data e uma conferência registrada, e o valor que aquilo tem quem diz é quem toca o processo, não a gente.
Funciona de madrugada e com tempo ruim?
De madrugada funciona bem com os painéis, porque eles emitem luz própria e são lidos melhor do que de dia. Com placa de chapa depende da iluminação e dos faróis. Com chuva forte, cerração ou lente suja tem momento em que simplesmente não aparece, e aí o IRIS diz que não conseguiu conferir aquela placa em vez de dar por boa uma coisa que ele não enxergou. A gente prefere um vazio assumido a um verde falso.

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