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E se pula uma chama e a roupa ignífuga ficou no vestiário?

Sem roupa ignífuga na área quente

13h40 e o pátio marca quarenta graus. Um operador atravessa a área das bombas sem o macacão ignífugo, de capacete, levando uma ferramenta para um colega. São dois minutos de travessia. O macacão dá um calor insuportável e ficou pendurado no vestiário. Se nesses dois minutos uma gaxeta romper e sair um jato de produto quente, o algodão que ele está vestindo gruda na pele.

3 câmeras em 2 setores

É assim que se pede

«Me avisa se alguém entrar na área das bombas sem a roupa ignífuga.»

Uma queimadura de segundo grau num braço são semanas de afastamento, curativo de dois em dois dias e um posto coberto por alguém que não conhece a unidade. Atrás vem a comunicação de acidente, a apuração interna e uma fiscalização perguntando como se controla o acesso àquela área. Hoje a resposta honesta costuma ser que se controla no olho, quando alguém passa por ali. E em janeiro, com o vestiário a duzentos metros, não passa ninguém.

Se decide uma vez

A decisão é tomada pela organização uma vez só. Se alguém atravessa a porta do pátio das bombas, com a unidade em operação, e não está de braços e pernas cobertos com roupa de trabalho, avisa a sala de controle com a câmera aberta e registra a passagem. Escrito uma vez, o IRIS aplica em todos os turnos.

Ninguém tira a roupa ignífuga por bravata. Ela pesa, não respira, e em janeiro trabalhar com ela é castigo. E tem um detalhe que engana: essa roupa não serve para o trabalho do dia a dia. Num dia normal ela não faz nada. Ela é vestida para o segundo em que alguma coisa sai do lugar, e esse segundo pode não chegar em vinte anos. Por isso quem atravessa sem ela não se sente imprudente: se sente confortável.

No dia em que dá errado, a diferença entre um susto e um hospital são quatro ou cinco segundos. A roupa ignífuga não impede o clarão, nem o respingo de escória, nem o jato de vapor. O que ela faz é não queimar e não grudar, e dar àquela pessoa o tempo justo de sair andando. Uma camiseta de algodão faz o contrário. E na plataforma de vazamento, onde se pede roupa aluminizada e viseira abaixada, a diferença se mede em centímetros de pele.

O IRIS olha a porta da área quente, que é por onde todo mundo passa. Ele enxerga se quem entra está de braços e pernas cobertos ou se falta a roupa que aquela área exige, e avisa ali, na entrada, quando voltar custa trinta segundos. Meia hora depois o aviso já não protege ninguém: ele só serve para dar bronca. A roupa não salva do acidente. Ela salva do segundo seguinte.

O que muda

Antes o controle era o encarregado do turno, que olha quando dá, porque tem outras quatro coisas para resolver ao mesmo tempo. Agora o aviso chega na entrada, com a imagem da pessoa entrando, e quem está no posto consegue chamar ela no alto-falante antes de chegar na primeira bomba. E depois de um mês existe uma conta por porta e por turno, que é o que faz falta para saber se o vestiário está onde devia ou está longe demais.

Onde a gente já viu isso

  • No meio do corredor tem uma pessoa de braços e pernas descobertos: capacete ela usa, roupa antichama não. Os outros três operadores estão de macacão azul antichama, capacete branco e luvas. Manhã de sol na área de bombas. À esquerda dela, tambores laranja empilhados com o losango de inflamável, e atrás um recipiente verde com a mesma etiqueta. Um dos operadores já está apontando para ela. A câmera enxerga o que falta vestir.

    CAM-331De braços de fora na área das bombas

    «Me avisa se alguém entrar na área de bombas sem a roupa antichama.»

    Ver esta câmeraA indústria

  • Na plataforma alta, ao lado da boca do forno, tem um operador de capacete e com os braços de fora. A um metro dele o jato de metal líquido cai dentro da lingoteira. Roupa aluminizada e protetor facial, ele não usa. É turno da tarde no galpão de fusão. Embaixo, no corredor, três colegas olham e um aponta para cima. O IRIS enxerga que tem alguém dentro da área quente e cronometra quanto tempo essa pessoa fica ali.

    CAM-375Uma pessoa sozinha lá em cima na plataforma do forno

    «Me avisa se alguém subir na plataforma do forno durante o vazamento sem roupa térmica.»

    Ver esta câmeraA indústria

  • À esquerda, uma panela com o banho descoberto. À direita, uma placa em brasa avançando pela mesa de rolos. Turno da noite na plataforma de vazamento. No piso tem quatro pessoas. Duas estão de macacão aluminizado, capacete e protetor facial baixado. As outras duas, não: uma está de colete refletivo por cima da roupa comum, e a outra não tem protetor facial nem roupa térmica, só capacete e luvas.

    CAM-374Dois operadores na plataforma de corrida sem roupa térmica

    «Me avisa se alguém entrar na plataforma de vazamento sem macacão aluminizado ou sem o protetor facial baixado.»

    Ver esta câmeraA indústria

O que ele não faz

O IRIS não confere se o macacão é o homologado para aquela área, nem se a viseira está em condições, nem se o tecido perdeu propriedade depois de cinquenta lavagens. Ele enxerga se a pessoa está coberta com roupa de trabalho ou se falta essa roupa.

E ele não mede temperatura nem detecta gás: ele não faz as vezes dos sensores da fábrica. É mais um par de olhos na porta, e não um instrumento de processo.

Perguntas

O IRIS separa a roupa ignífuga da roupa de rua?
Separa, pelo que aparece por fora: braços e pernas cobertos, macacão inteiro, o corte e a cor do uniforme daquela área. Uma camiseta e uma calça jeans se distinguem de um macacão de trabalho sem dificuldade nenhuma. O que não dá para pedir a uma câmera é saber se aquele macacão é homologado ou se ele perdeu propriedade depois de cinquenta lavagens. Isso se vê no almoxarifado, não no pátio.
Serve para a plataforma de vazamento também?
Serve, e ali a exigência é maior: roupa aluminizada e viseira abaixada. Se pede ao IRIS na mesma frase que ele avise se alguém subir na plataforma durante o vazamento sem a roupa ou com a viseira levantada. O vazamento é curto e previsível, então a regra fica só naqueles minutos e não atrapalha o resto do turno. É a diferença entre um aviso que se lê e um aviso que se silencia.
Ele não vai acabar avisando de todo mundo no calor?
Não, se a regra estiver bem escrita, e é aí que está a diferença inteira. Marcando a área quente inteira, ele avisa muito e em uma semana ninguém dá bola. Marcando só a porta de entrada dessa área, ele avisa uma ou duas vezes por dia e cada aviso serve para alguma coisa. Um aviso que as pessoas param de ler é pior do que não ter aviso nenhum, porque ele tapa os que importam.
O IRIS pode parar a unidade se alguém entrar sem equipamento?
Não pode. O IRIS avisa e uma pessoa decide. Parar uma unidade de processo tem consequência grande, e isso se decide na sala de controle com toda a informação na frente, e não a partir de uma imagem. O que o IRIS faz é essa pessoa receber o aviso agora, com a câmera aberta e o minuto exato, em vez de ficar sabendo na troca de turno. É só isso que muda: saber agora e não na troca de turno.

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Demonstração · IRIS funcionando

A cada volta, um caso novo. Sempre a mesma tela.

Ele roda sozinho e mostra um caso do começo ao fim. É um resumo: a tela de verdade tem muito mais função do que cabe neste quadrado.

  1. As câmeras, em cima do mapa
  2. Você desenha uma área
  3. Sai o que passou
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