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O estado das câmaras

CAM-905

Tinta sobre a cúpula

Um cruzamento com lojas em plena luz do dia, visto do poste de iluminação da esquina. Por trás adivinham-se os toldos, um carro cinzento parado antes da passadeira e gente a andar no passeio. Não se reconhece nada, porque sobre o vidro da cúpula há um material claro e espesso que caiu de cima e escorreu até baixo em regueiros. Entre um regueiro e outro ficam espaços, e por aí vê-se a rua deformada, como através de um copo sujo. O IRIS vê que a objetiva está coberta por algo que ontem não estava e que esta imagem já não serve para nada. Não sabe que material é nem quem o pôs. A hora, essa sabe.

Um cruzamento com lojas em plena luz do dia, visto do poste de iluminação da esquina. Por trás adivinham-se os toldos, um carro cinzento parado antes da passadeira e gente a andar no passeio. Não se reconhece nada, porque sobre o vidro da cúpula há um material claro e espesso que caiu de cima e escorreu até baixo em regueiros. Entre um regueiro e outro ficam espaços, e por aí vê-se a rua deformada, como através de um copo sujo. O IRIS vê que a objetiva está coberta por algo que ontem não estava e que esta imagem já não serve para nada. Não sabe que material é nem quem o pôs. A hora, essa sabe.
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Imagem gerada com IA

CAM-905 · OPTICA · MATERIAL OPACO

O que o IRIS compreende

O que reconhece nesta cena

  • material sobre a cúpula

A regra

Decide uma vez. O IRIS aplica sempre.

Se

uma parte grande do enquadramento fica coberta de repente por um material opaco que não estava na imagem de referência daquela câmara

Então

  1. avisar quem trata da manutenção com a câmara, a hora exata e o vídeo dos minutos anteriores
  2. marcar a câmara como fora de serviço e assinalar que parte da rua ficou sem ninguém a olhar
  3. deixar registada a hora em que a imagem deixou de servir, para que o relatório não diga «há já algum tempo»
A instrução que o configurou«Avisa-me assim que aparecer alguma coisa sobre o vidro de uma câmara e ela deixar de ver a rua, e guarda-me o vídeo dos minutos anteriores.»

O que muda

O que muda para quem responde por as câmaras verem

Uma câmara com o vidro coberto não se desliga: continua a gravar, continua na lista e continua com a luz verde acesa. Por isso passam semanas até alguém dar por ela, e quase sempre dá por ela no pior dia: quando é preciso o vídeo daquele cruzamento e o que há é um ecrã cheio de regueiros. Entretanto, ninguém reforçou aquela esquina, porque toda a gente assumia que estava coberta. Com o IRIS o aviso sai no mesmo momento em que a imagem muda, com a câmara, a hora e o vídeo dos minutos anteriores. Isso permite duas coisas que hoje não se fazem: organizar a subida com o equipamento certo em vez de descobrir por acaso, e saber a partir de que hora exata aquela câmara deixou de ver.

O que costumam perguntar

Como é que o IRIS distingue tinta da sujidade de sempre?

Pela velocidade da mudança. A sujidade acumula-se devagar: demora dias ou semanas e espalha-se pelo vidro mais ou menos por igual. Um material aplicado por cima aparece entre uma imagem e a seguinte, cai de cima e deixa regueiros e espaços. O IRIS compara o que vê agora com a imagem de referência dessa mesma câmara e avisa quando a mudança é súbita e grande. O que não faz é dar nome ao material: não diz se é tinta, espuma ou óleo. Isso vê-o quem lá sobe para limpar.

O IRIS diz quem pôs aquilo em cima da cúpula?

Não, e nunca o dirá. O IRIS afirma um facto: há um material opaco sobre a objetiva e a imagem deixou de servir a tal hora. Não identifica ninguém, não reconhece rostos e não interpreta intenções. Pode ser um aerossol, pode ser uma obra ao lado que salpicou, pode ser um camião de tinta. O que entrega é o vídeo dos minutos anteriores ao aparecimento, que costuma ser o único pedaço útil, e quem o vê e o que decide é coisa de uma pessoa. O IRIS aponta o que mudou e a que horas; o resto não é trabalho dele.

Se é preciso subir na mesma para limpar, o que ganho em saber hoje?

Ganha as semanas que essa câmara teria passado a gravar uma parede de regueiros sem ninguém saber. O IRIS não limpa nada: a cúpula limpa-a uma pessoa, e para isso é preciso subir. O que muda é que a subida se organiza de propósito e com o que faz falta, que entretanto se pode pedir a cena a outra câmara do mesmo ponto, e que quando alguém reclamar o vídeo daquele cruzamento se saberá a partir de que hora não há nada. Uma câmara que grava e não vê é pior do que uma desligada, porque toda a gente conta com ela.

Veja com os seus olhos

Tudo entra pela câmara. Só o importante chega aqui.

Aqui resume-se o que o IRIS faz com um aviso, desde que aparece até se fechar. No ecrã real há muito mais; isto é o fio principal.

  1. A hora, numa grelha
  2. Olhas onde está escuro
  3. Saltas para esse minuto
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IRIS · Infinity Neural

E o melhor

O turno da noite não o cobre ninguém:cobre-o a câmara que já está ligada.

Não se cansa, não pestaneja e não vai buscar café. O que acontece de madrugada é compreendido como seria ao meio-dia, e quem está de serviço fica a saber enquanto está a acontecer.

Explique-nos o seu problema e dizemos-lhe se o IRIS o compreende ou ainda não.

Respondemos no mesmo dia útil.