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Como está realmente o rack, e quem é que olha para ele?
O tubo anda há meses a oxidar debaixo do revestimento
Nove da manhã no rack de tubagens. O revestimento da linha principal pende às tiras e deixa o tubo à vista, oxidado de ponta a ponta. Por baixo, no chão de betão, há chapas caídas há tanto tempo que já têm a sua própria ferrugem desenhada à volta. Por ali passa gente todos os dias a caminho da oficina. A última inspeção daquele troço foi há sete meses, e no relatório diz «conforme».
2 câmaras em 1 setores
É assim que se pede
««Avisa-me se aparecer revestimento solto ou chapa caída debaixo do rack, e guarda-me a foto para a comparar com a do semestre passado.»»
Um tubo que oxida debaixo do revestimento não se vê até pingar, e quando pinga já não é um pincel de tinta: é um troço cortado, uma paragem da unidade e uma reparação com andaime. E se o que pinga levar produto, então há participação, há um organismo a perguntar e há uma reunião para explicar porque é que no relatório do semestre passado dizia que estava tudo conforme.
Decide-se uma vez
A fábrica decide que linhas importam, de quanto em quanto tempo quer a comparação, o que conta como degradação a olhar e quem recebe a ficha: manutenção, integridade ou o chefe de unidade. Decide também a outra coisa, que é mais séria: em que linhas não se abre uma flange sem que antes se tenha visto montar o isolamento. Isso escreve-se uma vez, com o procedimento à frente. Depois o IRIS aplica-o em todos os troços com câmara, todos os dias, sem depender do calendário de ninguém.
Num rack de tubagens a palavra isolamento significa duas coisas, e as duas veem-se da mesma câmara. Uma é o revestimento que protege o tubo: quando parte, entra água entre a chapa e o aço e o tubo come-se por dentro sem que se veja nada por fora. A outra é o isolamento que protege a pessoa: a linha vazia, bloqueada e purgada antes de alguém tocar numa flange.
O primeiro é um problema de calendário. A inspeção de integridade passa de seis em seis ou de doze em doze meses, e entre uma e outra o rack está sozinho com a chuva. O que faz falta não é um alarme: é uma fotografia do mesmo sítio, tirada do mesmo enquadramento, para pôr ao lado da do semestre passado e ver o que mudou. Isso o vídeo já faz, só que ninguém o estava a usar para isto.
O segundo é um problema de ordem, e é o que manda alguém para o hospital. Um operário desaperta uma flange e, se a linha não estava isolada, pela junta sai o que ficou lá dentro: vapor, produto, pressão. O IRIS não sabe se há uma licença assinada, mas sabe o que viu por aquela câmara: se se abre uma flange numa linha onde antes não se viu montar o isolamento, di-lo na hora e mostra o vídeo de mesmo antes. Depois decide uma pessoa, que para isso está o chefe de turno.
O que muda
Antes, o estado real do rack era o que dizia o último relatório, e entre relatório e relatório confiava-se. Agora a comparação faz-se sozinha e chega com duas imagens do mesmo enquadramento, a de antes e a de agora, para que o técnico decida a que troço sobe o andaime primeiro. E aquilo da ordem de trabalho, que antes se via no vídeo quando já tinha acontecido alguma coisa, vê-se enquanto acontece, que é quando ainda serve para alguma coisa.
Onde já o vimos

CAM-337O isolamento pende às tiras e por baixo está tudo oxidado
«Avisa-me se aparecer revestimento solto ou chapa caída por baixo do rack, e guarda-me a foto para comparar com a do semestre passado.»

CAM-327Abriram a flange antes de isolar a linha
«Avisa-me se alguém abrir uma flange nesta linha sem que antes se tenha visto montar o isolamento.»
O que não faz
O IRIS não mede espessuras e não diz quanta parede resta ao tubo. Para isso são precisos ultrassons e um técnico, e isso não se substitui com uma câmara. Também não sabe se há uma licença de trabalho assinada nem se a linha está mesmo despressurizada: o que sabe é o que viu por aquela câmara e em que ordem. E não vê o que está debaixo do revestimento que continua posto: se a chapa estiver inteira, a ferrugem de baixo não aparece na imagem.
Perguntas
- Pode dizer-me quanto se corroeu um tubo?
- Não. O IRIS não mede espessuras nem perda de parede: isso fá-lo um técnico com ultrassons e não há câmara que o substitua. O que faz é mostrar-te onde olhar. Vê o revestimento partido, a chapa caída, a mancha de ferrugem que se estende e o pingo que deixa rasto no chão, e guarda quando apareceu cada coisa. Com isso, a campanha de inspeção deixa de ser uma volta inteira ao rack e passa a começar pelos troços onde algo mudou desde a última vez.
- Como compara duas imagens tiradas com meses de diferença?
- Guardando o mesmo enquadramento. A câmara está fixa, por isso a imagem de hoje e a de há seis meses olham para o mesmo troço do mesmo sítio, e pô-las lado a lado já mostra o que mudou. Muda a luz, muda a estação e muda se está molhado, e isso tem de se ter em conta ao olhar. Por isso o que se entrega é o par de imagens com a sua data, não um veredicto: quem decide se aquilo é degradação ou é uma sombra é o técnico de integridade.
- O IRIS sabe se a linha está isolada?
- Não, e é importante que fique claro. O IRIS não lê o sistema de licenças, não sabe se há um cadeado posto nem se a linha está despressurizada. A única coisa que sabe é o que viu por aquela câmara: se se viu montar o isolamento naquele troço antes de alguém começar a desapertar a flange. É uma verificação de ordem, não de estado. E por isso o aviso vai a uma pessoa com o vídeo, para que seja ela a parar o trabalho se for preciso.
- Isto serve para o revestimento térmico e para o ignífugo?
- Sim, desde que se veja da câmara. Ao IRIS tanto lhe faz o que aquela chapa protege: vê que o revestimento está partido, pendurado ou no chão, e avisa. O que muda é a urgência, e essa põe-na a fábrica: um revestimento térmico partido numa linha fria pode esperar pela próxima paragem, e uma proteção contra fogo danificada numa coluna não pode esperar nada. A regra escreve-se diferente para cada linha, e escreve-se uma vez.
Veja com os seus olhos
Aqui não há alarmes a mais. Há o que é preciso ver.
Não é um vídeo gravado nem um desenho explicativo: é um resumo do ecrã real, com um caso diferente sempre que arranca. Por trás há muito mais.
- Desenha a linha
- Conta-se sozinho
- Sai um número
Não vê o seu aqui?
Estas palavras são as que temos montadas, não as que o IRIS compreende. A lista fica curta de propósito: pede-se com uma frase, e as frases não se esgotam. Diga-nos o que tem à frente das suas câmaras e dizemos-lhe se compreende, ou se ainda não.
E o melhor
Há anos que paga para guardar vídeo.Ninguém o viu.
Gravar não é compreender. A gravação continua guardada para o caso de ser precisa, mas já não é preciso vê-la toda para saber o que aconteceu.
Explique-nos o seu problema e dizemos-lhe se o IRIS o compreende ou ainda não.
Respondemos no mesmo dia útil.